quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A arte de conversar


por Fabiano Caxito*


Quando pensamos em falar em público, logo nos vem à mente a imagem de um púlpito ou palco, uma tela e um projetor, slides e um microfone.

Porém, a arte de falar em público é muito mais ampla. Em cada conversa, reunião ou telefonema, cada viagem que você faz durante seu dia de trabalho, você está exercitando a arte de falar, a arte de se comunicar. E da mesma forma que em uma apresentação para um grande público, você precisa saber se comunicar.
Para captar o interesse de seu interlocutor, ou de sua platéia, sua mensagem deve ter clareza e objetividade.

Tive um excelente professor na minha graduação. Ele é um profissional como uma história profissional fantástica, atuou como executivo de um grande banco em vários países do mundo. Conhecia muito de finanças e era competentíssimo. Porém, os alunos detestavam a sua aula. Por um simples motivo: poucos entendiam o que ele estava falando.  Por que sua linguagem era cheia de termos técnicos, construções rebuscadas e citações que só uma pessoa com ampla cultura entenderia.

Já a falta de objetividade, com certeza você deve ter vivenciado. Sabe aquele seu amigo ou companheiro de trabalho que começa a falar de um assunto e termina em outro? Você o cumprimenta com um “bom dia” e ele começar a explicar todo o seu trajeto desde a casa até a empresa, e entra em detalhes sobre o barulho estranho que o carro fez e ai dispara a contar sobre a viagem que fez à praia, etc.

E você ali, doido para arrumar uma desculpa para ir cuidar de sua vida.

Será que sua comunicação tem sido clara e objetiva? Temos muita dificuldade em avaliar a forma como nos comunicamos. E raramente as outras pessoas nos alertam sobre os problemas e erros que cometemos ao falar.

Para ser um bom comunicador você precisa constantemente analisar sua comunicação cotidiana, sua forma de se expressar.  Aqui vão algumas dicas para ajudá-lo:

Conheça a ti mesmo
Bons oradores desenvolvem um bom autoconhecimento e domínio de si, além de um profundo conhecimento do tema sobre o qual precisam falar.  Planejam sua fala de forma a utilizar o ambiente e os recursos de que dispõem para exprimir suas idéias e convicções e atrair a atenção e o interesse do público.
Utilizam a voz de forma ritmada, evitando o tom monocórdio, alterando a altura, intensidade vibração e o entusiasmo para enfatizar os pontos mais importantes do discurso, com um tom amigável e sem exagero.

Conte “Causos”
Outro ponto em comum em bons comunicadores é a capacidade de contar casos! Incluem exemplos vivos nas conversas, ou seja, pessoas de verdade fazendo coisas reais.

Cada um de nós pode ter a sua opinião sobre o Presidente Luis Inácio Lula da Silva, que não cabe aqui discutir. Podemos até afirmar que ele comete muitos erros de português e utiliza de forma exagerada as gírias e às vezes até palavrões.
Mas é indiscutível a sua capacidade de usar parábolas, exemplos reais e casos para dar seu recado e ser entendido pelo seu público, que é basicamente composto por pessoas com pouca formação cultural.

Vê Se Te Enxerga!
Ser modesto e despretensioso também é um aspecto chave para o sucesso na comunicação. Arrogância afasta as pessoas. Não tente, durante uma conversa, mostrar sua superioridade. Você tem um ponto de vista sobre um determinado assunto e a oportunidade de defendê-lo frente a uma pessoa, que pode concordar ou não com sua visão.

Comungue!
Comunicar e Comungar são palavras com origens semelhantes, e expressam a idéia de dividir, compartilhar, fazer junto. O entendimento daquilo que você defende depende dos conhecimentos de cada um. Assim, você deve falar com cada pessoa da forma que ela entende. O respeito deve ser total.

Faça contato visual com a pessoa, mas tome cuidado com o olhar. Não se fixe nem fique pulando o olhar muito rapidamente, para não passar a impressão de que está perdido ou nervoso. Por outro lado, não fique para cima ou para o nada, pois seu interlocutor o achará arrogante.

Seja oportuno.  Amarre suas observações ao jornal de hoje. Atualize constantemente seu material. Identifique como o tema de sua conversa é impactado pelas mais recentes notícias.
Em seu cotidiano, o motorista de Taxi tem a oportunidade de entabular uma dezena de conversas. Alguns clientes gostam de um bate-papo, outros preferem o silêncio. Um bom comunicador conseguirá perceber estas característica, e usar a habilidade de se comunicar para construir relacionamentos. E bons relacionamentos significam bons negócios.


*Fabiano Caxito é Mestre em Administração Estratégica, MBA em RH, especialista em Docência, Graduado em Gestão Financeira, Coordenador, na Universidade Cidade de São Paulo, Consultor, Palestrante e sócio da BOSS Consultoria. Dentre as suas publicações está o lançamento ¨Não Deixo a Vida me Levar, A Vida Levo EU!¨, Editora Saraiva, 2009.

www.sejaprofissional.com.br

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Planejamento de Carreira


por Fabiano Caxito*

A maioria das pessoas não pensa em planejar sua carreira. Nós deixamos a vida nos levar. Gosto muito da música “Deixa a vida me levar” do Zeca pagodinho, mas esta frase só é bonita na música. Se você deixa a vida te levar, principalmente na sua vida profissional, dificilmente vai alcançar seus sonhos.
Mas como planejar sua carreira?

O primeiro passo é examinar sua identidade. É saber quem você é de verdade, o que gosta de fazer, o que te deixa feliz. Quem faz aquilo que gosta faz bem e quem faz bem é reconhecido profissionalmente.

A seguir, você precisa definir quais são seus valores. No que você acredita. Os valores são pessoais.
Alguns dão mais importância a família. Outros ao sucesso, outros ao dinheiro e aos bens materiais. Nenhum valor é certo ou errado: ele deve fazer sentido para você.  É importante, ao definir seus valores, não mentir para você mesmo. Se dá importância ao dinheiro, não defina como seu valor principal a família só por que isso é socialmente mais aceitável. Seja sincero: é sobre os seus valores que você vai planejar seus objetivos.

O próximo passo é estabelecer metas e objetivos. Onde você estará profissionalmente daqui a cinco anos? Seja bastante específico: qual o cargo deseja ocupar? Em que tipo de empresa? Quanto pretende ganhar? Quanto mais detalhado for seu objetivo mais facilmente você vai conseguir desenhar seu plano de ação para chegar lá.

O plano de ação é seu próximo passo. Para definir um plano de ação, você precisa saber com detalhes quais as competências precisa ter para ocupar o cargo que almeja. Se o cargo que você quer daqui a cinco anos exige nível superior, você precisa começar a estudar até o próximo ano. Se o cargo exige ter a capacidade de liderança, você precisa começar a fazer cursos sobre o assunto. Faça uma lista de coisas que você precisa fazer em cada ano até chegar a seu objetivo.

Esta lista de tarefas deve ser bem detalhada. Quando você vai se matricular em um curso? Que curso? Onde? Por que este curso vai te levar a seus objetivos? Quanto vai custar? Mas não adianta planejar e não fazer. A cada mês, defina um dia no qual você vai revisar seus planos. Desta forma, evita sair de seu caminho.

É claro que este planejar sua carreira é um tema é muito profundo e que exige muita atenção aos detalhes. Na próxima coluna, vamos falar com mais profundidade sobre o plano de ação para alcançar seus objetivos. Mas eu vou te dar agora um dever de casa, uma tarefa: Defina quais são seus valores. E defina também onde quer estar daqui a cinco anos. Na próxima edição, voltamos a conversar.


*Fabiano Caxito é Mestre em Administração Estratégica, MBA em RH, especialista em Docência, Graduado em Gestão Financeira, Coordenador, na Universidade Cidade de São Paulo, Consultor, Palestrante e sócio da BOSS Consultoria. Dentre as suas publicações está o lançamento ¨Não Deixo a Vida me Levar, A Vida Levo EU!¨, Editora Saraiva, 2009.

www.sejaprofisisonal.com.br

terça-feira, 15 de junho de 2010

Geração Y: um desafio para a área de Recursos Humanos

por Fabiano Caxito*


Participei recentemente do Congresso Febraban de Recursos Humanos, que neste ano de 2010 teve como tema “Os desafios do RH no Contexto Multigeracional”. O foco da discussão foi a geração Y: como atrair, recrutar, selecionar, treinar, desenvolver e motivar os jovens desta geração que cada vez mais ganha importância e espaço no mercado de trabalho.

Em outras colunas, já apontei algumas das características que nasceu em mundo dominado pela tecnologia, pelos games, celulares, TV a cabo, internet, e cresceu em contato com culturas, hábitos e realidades completamente. O ponto mais interessante do congresso foi verificar que empresas de grande porte, dos mais variados setores, também buscam compreender como estas características definem este jovem e como podem ser usadas no contexto organizacional.

Na mesa redonda inicial, Sérgio Chaia, presidente da Nextel, Calors Trostli, Presidente da Santher, Liliam Guimarães, vice-presidente de Recursos Humanos do Santander e Deli Matsuo, diretor de RH da Google para a América Latina proporcionaram uma ampla visão de como a geração Y tem impactado a cultura das empresas. Se por um lado, a Google já nasceu com esta geração, a Santher é uma empresa com décadas de existência, e atua no ramo industrial, menos aberto às mudanças culturais trazidas pela nova geração.

Segundo Liliam Guimarães, mais de 40% dos funcionários do grupo Santander podem ser considerados representantes da geração Y, sendo que muitos já estão em posições de gerência e liderança. De forma semelhante, a Nextel conta com cerca de 1500 funcionários em seu Contact Center, quase todos nascidos após a década de 80. 

Independente do ramo de atuação da empresa, o consenso entre os participantes do congresso é que, para se motivar, os jovens precisam se identificar com os objetivos da empresa, querem fazer parte de algo maior do que o simples desempenho de uma função repetitiva e sem sentido. Esta geração busca prazer no trabalho e rapidez no crescimento profissional, mas não acreditam que as promoções verticais são a única forma de crescimento: querem o aprendizado, e vêem as transferências de área, setor ou até mesmo de empresa como uma forma de adquirir uma visão mais completa de sua profissão.

Para Deli, da Google, o fundamental para motivar a geração Y é uma gestão equilibrada, na qual flexibilidade, hierarquia fluida, liberdade são tão ou mais importantes do que a remuneração justa. Com quem trabalham, o que fazem e o impacto deste trabalho na sociedade são fatores que pesam na decisão do jovem em se manter na empresa.

Como um dos focos de minhas pesquisas sobre geração Y é a existência das características marcantes desta geração entre os jovens da classe C, tive a oportunidade de questionar os participantes da mesa sobre esta relação.

Tanto para Liliam Guimarães quanto para Sérgio Chaia, os jovens da classe C apresentam as características da geração Y, e em alguns casos ainda mais acentuadas: para Chaia, o apetite pelo conhecimento, o interesse pelo aprendizado e o gosto pela interação social são mais presentes entre os jovens da classe C. Já Guimarães acredita que o vínculo com a empresa e a retenção é maior do que a obtida entre os jovens das classes A e B.

Após participar do congresso, acredito que, apesar da importância da geração Y para o futuro das empresas, os profissionais das gerações Baby Boomers e X não podem ser apenas formadores desta nova geração. A experiência e conhecimento destes profissionais ainda são fundamentais para o sucesso das empresas. Mesclar esta experiência com a criatividade, força e curiosidade da geração Y é a chave para o sucesso deste momento de transição geracional.


*Fabiano Caxito é Mestre em Administração Estratégica, MBA em RH, especialista em Docência, Graduado em Gestão Financeira, Coordenador, na Universidade Cidade de São Paulo, Consultor, Palestrante e sócio da BOSS Consultoria. Dentre as suas publicações está o lançamento ¨Não Deixo a Vida me Levar, A Vida Levo EU!¨, Editora Saraiva, 2009.



www.sejaprofissional.com.br