sábado, 15 de maio de 2010

Geração Y da Classe C chega ao mercado de Trabalho

por Fabiano Caxito*

Geração Y! Provavelmente, você já deve ter ouvido ou lido algo sobre esta nova geração que chega com força ao mercado de trabalho. O termo foi cunhado nos Estados Unidos para identificar uma geração irrequieta e antenada, formada por jovens nascidos depois de 1980, que cresceu cercada pela tecnologia: Video-Games, celulares, TV a cabo, internet.

Muitas das características apontadas como relacionadas aos jovens desta geração, contudo, estão ligados mais à cultura americana do que propriamente a uma geração global.

No Brasil, a geração Y tem sido bastante discutida, em especial por profissionais da área de Recursos Humanos de empresas que contratam estes jovens, e que se deparado com a dificuldade de incorporar esta geração à cultura da empresa.

É inegável que uma pequena parcela de nossos jovens, em especial aqueles nascidos em famílias das classes A e B, apresenta as características da geração y identificadas nos jovens americanos: Estudaram inglês, fizeram intercâmbio, usam redes sociais, não tem paciência para coisas longas e demoradas.

Buscam gratificação instantânea e não lidam bem com promessas futuras, demandam muito feedback e são movidos a elogios. Gostam de ser reconhecidos e são ambiciosos. Demonstram amplo domínio da tecnologia, são alegres e descontraídos e buscam equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Porém, a grande maioria de nossos jovens não teve todos estas oportunidades: nascidos nas classes C e D, não tiveram acesso a um estudo diferenciado, somente recentemente passaram a ter acesso a internet, muitos nunca assistiram TV a cabo. Não estudaram outras línguas e nunca saíram de sua cidade.

Será que estes jovens também apresentam as características que marcam a Geração Y? Chegam às empresas também em busca de crescimento rápido, oportunidades de carreira, horário flexível e qualidade de vida?

Com o objetivo de responder a esta pergunta, foi realizada uma pesquisa com 330 universitários em uma universidade privada, situada na Zona Leste da Cidade de São Paulo. A amostra pesquisada é predominantemente composta por pessoas da classe C, nascidos entre os anos de 1968 e 1992. A pesquisa foi realizada durante o evento “Geração Y e o Mercado de Trabalho”, que contou com palestras e uma mesa redonda composta por profissionais de recursos humanos e representantes da Geração Y.
A pesquisa abordou uma série de temas relacionados aos hábitos culturais e as expectativas e desejos profissionais dos universitários. Para efeito de comparação, as respostas foram divididas em dois grupos: Os nascidos antes do ano de 1980 – representantes da geração X - e os nascidos após o ano de 1980 – representantes da geração Y.

Apesar de não terem tido acesso, durante sua infância e adolescência, a muitas das tecnologias e oportunidades que marcam a geração Y, os jovens da classe C nascidos após o ano de 1980 apresentam muitas das características que são apontadas pelos autores americanos.

Diversas questões da pesquisa apresentaram diferença significativa entre as respostas das duas gerações. A geração Y mostrou que não acredita em promessas de ganhar remuneração e prêmios no futuro. Demonstraram também que tem pressa de construir a carreira: 50,5% esperam ser promovidos no primeiro ano de atuação na empresa. Acreditam que conseguem aprender sozinhos e lidam bem com mudanças. Dão mais valor a empregabilidade do que a fidelidade a empresa: 49% dos respondentes pretendem mudar de emprego nos próximos dois anos.

Por outro lado, a geração X busca um ambiente de trabalho justo, e acredita que o chefe sempre deve dizer aos funcionários o que fazer. Considera-se colaborativa, sociável e engajada em questões de responsabilidade social. Apesar de não estar completamente satisfeita com o emprego atual – 46,9% acreditam que recebem menos do que a média do mercado – e se sentir insegura no emprego atual – 36,7% dos entrevistados – mais da metade dos respondentes da geração X não trocaria de emprego no momento atual.

Pesquisa do IBGE aponta que a taxa de desemprego, no início do ano de 2010, é a mais baixa registrada desde 2002: mais de 725 mil empregos foram criados somente no mês de fevereiro. Em um momento de crescimento econômico como o atual, as empresas necessitam incorporar a seus quadros um grande número de jovens, alguns ainda sem experiência profissional. Segundo a pesquisa “os Jovens no Brasil”, 31,6% da população jovem brasileira é da classe C, enquanto apenas 12,5% pertencem as classes A e B.

Já a pesquisa “Jovens e Trabalho no Brasil – Desigualdades e Desafios para as Políticas Públicas”, desenvolvida pela ONG Ação Educativa, o Instituto Ibis e pelo Dieese mostra como a Classe social tem uma relação direta com a entrada do jovem no mercado de trabalho: Em famílias de menor renda, aos 14 anos, muitos já estão trabalhando, enquanto nas classes mais altas a carreira se inicia após os 18 anos, sendo que 31% dos jovens destas classes chegam ao ensino superior.

Para as empresas, é de fundamental importância entender as características, expectativas e sonhos desta massa de jovens, que mesclam as características da Geração Y com as da Classe C, pois estes serão os líderes destas empresas no futuro.


*Fabiano Caxito é Mestre em Administração Estratégica, MBA em RH, especialista em Docência, Graduado em Gestão Financeira, Coordenador, na Universidade Cidade de São Paulo, Consultor, Palestrante e sócio da BOSS Consultoria. Dentre as suas publicações está o lançamento ¨Não Deixo a Vida me Levar, A Vida Levo EU!¨, Editora Saraiva, 2009.


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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Saiba trabalhar em equipe

por Fabiano Caxito*

A maior parte dos resultados profissionais que obtemos se deve não somente a nós, mas dependem do envolvimento e dedicação de outras pessoas, sejam nossos subordinados, companheiros, amigos, familiares e até mesmo clientes.

A grande dificuldade que encontremos para aprender a trabalhar em equipe  vem da própria cultura das empresas. Enquanto nos discursos se glorifica o trabalho em equipe, os programas de incentivo, bônus, prêmios e promoções valorizam o resultado de curto prazo e o individualismo.

As empresas querem a equipe, mas premiam o melhor. Querem o trabalho em conjunto, mas privilegiam uns em detrimento de outros, pregam a iniciativa e a criatividade, mas forçam os funcionários a se enquadrar e se conformar com a estrutura e as normas. 

Talvez por isso uma das frases que mais se ouve nos corredores das empresas é “Faço Muito, Mas Ninguém Reconhece!”. Esta sensação leva à desmotivação e a perda de talentos, que acabam por buscar novas oportunidades. Isso, no melhor dos casos!

Como somos incentivados a valorizar o individualismo, passamos a considerar que somente podemos contar com o nosso trabalho. E daí para achar que o nosso jeito de fazer as coisas é o melhor jeito é um passo.

Não percebemos que as pessoas são diferentes de nós e que isto não é ruim. Muito pelo contrário. A diferença nos enriquece e nos completa. 

Não dizem que os opostos de atraem e se completam? Isso é verdade nos relacionamentos pessoais e amorosos. Mas nos nossos relacionamentos profissionais, queremos que todos sejam iguais a nós, que pensem da mesma forma, que não discutam nossas decisões e concordem com nossas opiniões. 

Lembre-se: as pessoas são diferentes, e ser diferente significa apenas ser diferente: nem melhor, nem pior. Permita-se encontrar pessoas que, exatamente por serem diferentes, o completarão e o ajudarão a conquistar resultados que, sozinho, você não alcançaria.

Aos 30 anos de idade, eu estava começando minha vida profissional do zero. E tive a grande sorte de contar com dois auxiliares, Jefferson e Sérgio, que foram os grandes responsáveis pelo início de uma carreira ascendente. Sem se importar em receber hora extra ou reconhecimento pessoal, os dois dividirão comigo noites e madrugadas de dedicação total. Os dois foram os responsáveis pela minha promoção à Supervisor de Vendas em apenas 4 meses.

Quando assumi a equipe de 9 vendedores, eles estavam completamente desmotivados. Eram considerados os piores vendedores e por isso, atendiam as piores rotas de clientes. O fato é que, em menos de um ano, nossa equipe era campeã de vendas, os vendedores recebiam os melhores salários da distribuidora e ganhavam a maioria dos prêmios e bônus, e fui promovido a Gerente de Vendas.

E qual o segredo? Nenhum! Simplesmente ouvi e respeitei a opinião de todos. Criamos uma cultura de equipe na qual todos se sentiam responsáveis pelos resultados de todos, e portanto, se importavam e queriam ajudar. E dividimos os resultados financeiros e de reconhecimento. 

Hoje, quase 10 anos depois, tenho a grande sorte de contar, novamente, com uma grande equipe, meus sócios e assistentes. Com a ajuda deles, a dedicação e o comprometimento, tenho certeza de meu ano de 2010 será cheio de conquistas. 

E você? Já construiu sua equipe?


*Fabiano Caxito é Mestre em Administração Estratégica, MBA em RH, especialista em Docência, Graduado em Gestão Financeira, Coordenador, na Universidade Cidade de São Paulo, Consultor, Palestrante e sócio da BOSS Consultoria. Dentre as suas publicações está o lançamento ¨Não Deixo a Vida me Levar, A Vida Levo EU!¨, Editora Saraiva, 2009.


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